No início tudo eram pregas. Mas o tempo passa, a idade vai chegando, e com ela a primeira coceirinha. A gente pensa que não é nada, vai coçando, coçando, coçando e deixando pra lá. Não descuida da higiene, lava várias vezes por dia (e com cuidado) o prezado, mas ainda assim a coceirinha persiste. Não vai embora nem com hipoglós. Aí vem a primeira consulta médica. Fissura anal, talvez. Cauterização à vista. Deixa pra lá, não tá coçando tanto. Mas eis que chega o primeiro botão, aparecendo onde outrora havia uma prega. Aí não tem mais jeito. Queira ou não queira, você acabou de entrar para o Chore.
Foi assim ou não foi?
A cauterização anal é uma técnica cada vez mais popular entre nossos carrascos – os proctologistas. Mas eles têm uma certa razão: é melhor um maçarico do que um bisturi. Um errinho com um maçarico na mão, são só alguns pelinhos que se vão; já o bisturi pode fazer um estrago muito maior, causando uma recuperação bem mais lenta e dolorosa.
O chato da cauterização é o cheirinho de queimado que fica depois. Mas você pode disfarçar, jogando a culpa no sujeito que passou junto de você com o cigarro aceso e queimou o cabelo do seu braço. O cheiro é o mesmo. Mas se o interlocutor desconfiar e pedir pra cheirar, desconverse. Diga que não tomou banho hoje.